O temor de que o conflito no Oriente Médio se estenda levou bilionários e executivos estrangeiros a abandonar Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em operações de evacuação que chegam a custar US$ 200 mil por passageiro. A corrida por saídas emergenciais ocorre em meio ao fechamento parcial do espaço aéreo do país, depois de uma onda de mais de 800 drones e 200 mísseis que, desde o último sábado, matou três pessoas na federação árabe.
Explosão perto de hotel de luxo acelera fuga de família turca
Moradora da sofisticada Palm Jumeirah, a turca Evrim relatou que decidiu partir assim que destroços de um míssil atingiram um hotel próximo à sua casa. Ela, o marido e os dois filhos desembolsaram US$ 200 mil para embarcar de Mascate, no vizinho Omã, até Genebra, na Suíça, após uma viagem de carro de seis horas pelo deserto. “Ficamos apreensivos, especialmente por causa das crianças”, contou.
Jatos privados escassos e fronteiras lotadas
Segundo Glenn Phillips, responsável pelas relações públicas da Air Charter Service, a procura por voos particulares “aumenta claramente”. A empresa já organizou várias decolagens a partir de Mascate, mas enfrenta falta de aeronaves: muitos jatos permanecem em aeroportos fechados, e operadores hesitam em voar sobre áreas de risco. O congestionamento na fronteira entre os Emirados e Omã provoca filas de até quatro horas.
O transporte terrestre também virou alternativa. Mike D’Souza, da Indus Chauffeur, afirma que cresceu a demanda por carros de alto padrão rumo à Arábia Saudita, onde os terminais ainda funcionam. A exigência de visto, contudo, cria novos gargalos para quem tenta entrar no reino vizinho.
Sem fortuna, desafio é maior
Para famílias com renda mais modesta, deixar Dubai se tornou ainda mais complicado. Um britânico que preferiu não se identificar disse ter enfrentado preços “extremamente altos” e rápida escassez de assentos em voos comerciais saindo de Mascate. Grávida, a esposa dele viajou com o casal e o filho de três anos até Hyderabad, na Índia, antes de seguir para a Tailândia. “Amamos Dubai e pretendemos voltar quando as coisas se acalmarem”, afirmou.
O êxodo ganhou força após os Estados Unidos anunciarem ter atacado mais de 20 embarcações iranianas, ação que elevou as tensões na região e desencadeou a retaliação de Teerã contra países do Golfo.
Fonte: g1
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