Brasília – Os Correios iniciaram negociações com instituições financeiras para contratar um empréstimo de R$ 20 bilhões, segundo informou nesta quarta-feira (15) o presidente da estatal, Emmanoel Schmidt Rondon, no cargo há menos de um mês.
O dirigente afirmou que o contrato ainda está em fase de acerto, mas é considerado fundamental para recuperar a liquidez da empresa, pagar um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) e viabilizar a retomada plena das operações.
Resultados e falta de caixa
No primeiro semestre de 2025, a companhia registrou prejuízo de R$ 4,3 bilhões, ante R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024. Somente no ano passado, foram consumidos R$ 2,9 bilhões do caixa e das aplicações financeiras — 92% de todo o montante aplicado em 2023.
Para mitigar a escassez de recursos, a gestão anterior obteve um empréstimo de R$ 1,8 bilhão, utilizado no fluxo de caixa operacional. Ainda assim, atrasos de repasses a fornecedores, agências franqueadas e ao plano de saúde Postal Saúde provocaram paralisações de transportadoras e suspensão de atendimentos hospitalares desde abril.
Nova estratégia em três frentes
O pacote anunciado por Rondon divide-se em três eixos:
- Corte de despesas operacionais e administrativas, com abertura de um novo PDV. Um programa semelhante, encerrado em maio, contou com a adesão de 3.500 empregados;
- Diversificação de receitas, incluindo lançamento de produtos e venda de imóveis ociosos;
- Recuperação da liquidez, centrada na captação dos R$ 20 bilhões que devem aliviar o caixa entre 2025 e 2026.
Obrigações postergadas
Em julho, a estatal formalizou o adiamento de pagamentos que somam R$ 2,75 bilhões para preservar recursos. Entre os principais valores estão:
- INSS Patronal – R$ 741 milhões
- Fornecedores – R$ 652 milhões
- Postal Saúde – R$ 363 milhões
- Remessa Conforme – R$ 271 milhões
- Vale-alimentação/refeição – R$ 238 milhões
- PIS/Cofins – R$ 208 milhões
- Postalis – R$ 138 milhões
- Franqueadas – R$ 135 milhões
De acordo com os Correios, 53% dessas dívidas geram multas e juros, mas não interrompem de imediato os serviços.
Medidas emergenciais de maio
Antes da atual gestão, a empresa já havia anunciado:
- redução de 20% nos cargos comissionados;
- diminuição provisória da jornada de trabalho para 6 horas diárias;
- suspensão temporária de férias a partir de junho de 2025;
- lançamento de marketplace próprio ainda em 2025;
- captação de R$ 3,8 bilhões junto ao New Development Bank;
- compartilhamento de unidades operacionais e revisão de contratos nas 10 maiores superintendências.
Segundo Rondon, essas ações foram emergenciais e não surtiram impacto estrutural relevante.
O executivo não detalhou a evolução das dívidas em negociação, alegando sigilo contratual. A perspectiva é que o novo financiamento seja concluído até o início de 2026.
Com a injeção de recursos e o enxugamento de custos, a estatal pretende regularizar pagamentos, destravar a logística e recuperar a confiança de clientes e parceiros.
Reportagem atualizada às 18h32 para incluir informações sobre as obrigações adiadas.
Fim.
Com informações de G1
Para entender o papel do setor público na contratação de crédito, consulte as orientações do Tesouro Nacional.
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