Brasília, 14 de dezembro de 2025 – A combinação de inflação persistente, defasagem na tabela do Imposto de Renda e tributação concentrada no consumo tem corroído o poder de compra da classe média brasileira, apontam economistas e especialistas em políticas fiscais.
Rendimentos mais tributáveis
Estudos citados por técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, diferentemente dos mais ricos – que obtêm parcela significativa da renda por meio de ganhos de capital isentos – a classe média depende majoritariamente de rendimentos sujeitos ao Imposto de Renda. Levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) indica que contribuintes com renda mensal acima de 240 salários mínimos (R$ 316 mil) declararam 71 % da renda como isenta em 2023, enquanto trabalhadores que ganham entre um e dois salários mínimos (R$ 1.320 a R$ 2.640) tiveram apenas 10,7 % isentos.
Como resultado, a alíquota efetiva é mais alta para quem recebe entre R$ 19.800 e R$ 26.400 mensais (15 a 20 salários mínimos): 11,40 %, mais que o dobro dos 5,28 % pagos, proporcionalmente, pelos milionários.
Defasagem da tabela do IR
O presidente do Sindifisco, Dão Real Pereira dos Santos, lembra que a tabela do Imposto de Renda esteve congelada por anos, o que empurrou contribuintes para faixas mais elevadas de tributação. A correção aprovada em 2025 – que ampliará a isenção para quem ganha até R$ 5 mil a partir de 2026 – deve aliviar parte da pressão, mas não elimina as distorções.
Tratamento desigual entre rendas semelhantes
Especialistas também destacam a diferença de tratamento tributário entre trabalhadores formais e profissionais que recebem pelos seus próprios CNPJs. Um empregado que ganha R$ 10 mil paga alíquota efetiva de cerca de 15 % a 16 %. Já um pequeno empresário que retira o mesmo valor como dividendos ainda não tributados pode pagar zero. A prática estimula a chamada pejotização e amplia a desigualdade.
Tributos sobre o consumo pesam mais
Segundo o advogado tributarista Marcus Vinícius Nunes Morais, famílias de menor renda comprometem parte maior do orçamento com impostos indiretos, como ICMS, PIS e Cofins. Uma família que recebe até um salário mínimo (R$ 1.518) arca com carga efetiva aproximada de 50 %, enquanto outra com renda de até 50 salários mínimos (R$ 75.900) destina pouco mais de 25 %.
Avanços e limites da reforma tributária
A primeira etapa da reforma, aprovada em 2023, unifica tributos sobre consumo, mas só será plenamente implantada em 2033. A segunda fase, que discute renda, prevê taxação de lucros e dividendos e criação de alíquota mínima para os mais ricos, mas enfrenta resistência no Congresso, sobretudo em 2026, ano eleitoral.
Para a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, o país segue tributando mais o consumo do que a renda: “Precisamos de uma reforma que promova justiça fiscal, especialmente sobre patrimônio, lucros e dividendos”.
Apesar dos ajustes previstos, economistas avaliam que o cronograma prolongado e o debate político deixam a classe média exposta, pelo menos no curto prazo, à combinação de alta carga tributária e inflação.
Com informações de G1
Relatório divulgado pela Receita Federal detalha as alíquotas efetivas por faixa de renda, reforçando o impacto regressivo sobre salários mais baixos.
Se você quer acompanhar a evolução da pauta que vai mexer no seu bolso, confira outras matérias em nossa seção de Política.
Em resumo, a classe média continua pressionada por um sistema que tributa muito o consumo e pouco a renda mais elevada. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe esta notícia para ampliar o debate sobre justiça fiscal.
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