O governo iraniano interrompeu temporariamente a navegação em partes do Estreito de Ormuz nesta terça-feira (17) em razão de exercícios militares da Guarda Revolucionária Islâmica, informou a agência semioficial Fars. A manobra acontece no mesmo dia em que representantes de Teerã e Washington iniciam negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, em Genebra, na Suíça.
Segundo a Fars, o bloqueio parcial deve durar algumas horas e foi classificado como “precaução de segurança”. O Estreito de Ormuz é a principal rota de exportação de petróleo do mundo, responsável por cerca de um quinto do fluxo global da commodity.
Tensão militar na região
O anúncio dos exercícios ocorreu na véspera, ampliando a tensão já elevada entre Irã e Estados Unidos. Dezenas de navios de guerra norte-americanos permanecem posicionados na área, enquanto Washington ameaça uma ação militar caso as tratativas diplomáticas fracassem.
O Irã já declarou em outras ocasiões que poderia fechar totalmente a passagem marítima se fosse atacado, medida que afetaria diretamente o mercado internacional de petróleo.
Negociações em Genebra
Os encontros na Suíça contam com a mediação de Omã. Do lado norte-americano participam os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner; pelo Irã, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi. O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, exige a limitação do programa nuclear iraniano e o fim do enriquecimento de urânio. Teerã, por sua vez, condiciona qualquer acordo à suspensão das sanções econômicas.
A bordo do Air Force One, Trump declarou que está envolvido “indiretamente” nas conversas e que acredita no interesse iraniano em chegar a um entendimento. “Não acho que eles queiram as consequências de não fazer um acordo”, afirmou.
Declarações de Khamenei
Em Teerã, o aiatolá Ali Khamenei disse que as tentativas norte-americanas de derrubar o regime iraniano fracassarão. “Até o exército mais forte do mundo pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar”, declarou o líder supremo, segundo a imprensa local.
Estoque de urânio e sanções
A principal autoridade nuclear iraniana reiterou que o país está disposto a diluir o estoque de urânio enriquecido — cerca de 440 kg a 60%, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — em troca do fim das sanções. O presidente Masud Pezeshkian acrescentou que aceita inspeções da AIEA, mas rejeita o que chamou de “exigências excessivas” dos EUA.
Washington, apoiado por Israel, acusa o Irã de pretender fabricar uma bomba atômica. O governo iraniano sustenta que seu programa é estritamente pacífico.
Enquanto as negociações prosseguem, o Pentágono deslocou o porta-aviões USS Gerald Ford para reforçar a frota, que já inclui o USS Abraham Lincoln. Autoridades norte-americanas disseram à Reuters que as forças armadas estão preparadas para semanas de possíveis operações contra o Irã, caso sejam acionadas.
Fonte: g1
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