O confronto armado que completa uma semana no Irã já compromete cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural, provocando uma alta de 24% no valor do barril, que superou US$ 90. A interrupção da navegação no Estreito de Ormuz levou produtores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait a reter até 140 milhões de barris destinados a refinarias de diversos países, pressionando estoques e preços.
Analistas do JP Morgan alertam que o mercado deixou de precificar apenas o risco geopolítico e passou a lidar com “interrupção operacional tangível”, resultado do fechamento de refinarias e das restrições às exportações. No Golfo Pérsico, depósitos de petróleo e gás estão se esvaziando rapidamente, e campos no Iraque já reduzem produção. Kuwait e Emirados Árabes Unidos podem adotar o mesmo caminho se a logística marítima não for restabelecida.
Ataques a infraestrutura e impacto global
Além do bloqueio à passagem de navios, forças iranianas atacaram instalações energéticas na região. A refinaria e o terminal de Ras Tanura, da Saudi Aramco, encontram-se fechados, enquanto o Catar declarou força maior em suas exportações de gás natural liquefeito (GNL) após ataques de drones. O país responde por aproximadamente 20% do mercado mundial de GNL.
Na Ásia, refinarias na Índia e na China reduziram operações ou suspenderam contratos por falta de abastecimento. Tailândia e Vietnã também cancelaram embarques. A restrição no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo russo, beneficiando Moscou depois que os Estados Unidos concederam isenção temporária a refinarias indianas.
Repercussões econômicas e políticas
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina avançou para US$ 3,32 por galão, enquanto o diesel atingiu US$ 4,33, segundo a AAA. O quadro representa um desafio político para o presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato, já que eleitores reagem de forma sensível ao aumento dos custos de energia.
A incerteza maior recai sobre quando o Estreito de Ormuz voltará a ser considerado seguro para navegação. Mesmo que o conflito cesse rapidamente, analistas estimam que o retorno aos níveis de produção anteriores pode levar semanas ou meses, devido aos danos em campos e refinarias.
Em Sergipe, onde consumidores acompanham a escalada dos valores nas bombas, agentes do setor afirmam que variações internacionais costumam refletir no preço local dos combustíveis e mantêm atenção às próximas semanas.
Fonte: g1
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