Brasília/DF – O ministro Alexandre de Moraes devolveu à Procuradoria-Geral da República, nesta quarta-feira (18), a Petição 11.645 para que o órgão se posicione sobre os dados extraídos dos celulares do advogado Frederick Wassef, peça-chave na investigação sobre o desvio de joias e presentes oficiais recebidos por Jair Bolsonaro.
- Em resumo: Moraes quer saber se o conteúdo dos aparelhos reforça indícios criminais ignorados no pedido de arquivamento da PGR.
Por que o material de Wassef vira ponto de virada
Em 4 de março, a Polícia Federal informou ter encontrado “eventos fortuitos” nos arquivos dos celulares de Wassef, sugerindo novas frentes de apuração. No mesmo dia, a PGR pediu o arquivamento geral alegando falta de lei que defina a quem pertencem presentes presidenciais. Até agora, porém, o Ministério Público não se pronunciou sobre os dados apontados pela PF. A lacuna motivou Moraes a acionar novamente a PGR.
Segundo a investigação, 12 pessoas – entre elas Bolsonaro, Mauro Cid e o próprio Wassef – já foram indiciadas por peculato, lavagem de capitais e associação criminosa. Os fatos envolvem itens de alto valor, como relógios Rolex e Patek Philippe, além de conjuntos Chopard recebidos entre 2019 e 2021.
“Não é possível punir criminalmente o recebimento de presentes por presidentes”, sustentou a PGR ao pedir o arquivamento, deixando sem resposta o novo material encaminhado.
Indiciamentos seguem válidos; risco penal aumenta
A PF manteve o indiciamento de Bolsonaro por peculato (art. 312 do Código Penal) e lavagem de dinheiro, citando o suposto enriquecimento ilícito do então presidente. Caso a PGR reconheça indícios nos arquivos de Wassef, o processo pode avançar para denúncia formal, abrindo caminho a uma ação penal no Supremo.
O sigilo do inquérito foi levantado em julho de 2024, e a nova manifestação do Ministério Público poderá redefinir a estratégia jurídica dos 12 investigados, ainda sob suspeita de associação criminosa para desviar presentes oficiais.
Crédito da imagem: Divulgação
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