Teerã, Irã – Em nova escalada na crise do Oriente Médio, a agência semioficial Tasnim anunciou que rebeldes houthis, aliados de Teerã, estão “prontos” para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, corredor que escoa 12% de todo o petróleo transportado por navio no planeta.
- Em resumo: Um bloqueio em Bab el-Mandeb ameaça repetir – e agravar – o choque de preços causado pelo fechamento de Ormuz.
Por que esse estreito assusta os mercados?
Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e, por consequência, ao Canal de Suez. Todos os dias, passam por seus 36 km de largura cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos EUA. A Arábia Saudita usa a rota como alternativa a Ormuz para despachar barris via oleoduto até o porto de Yanbu.
Com Ormuz já bloqueado, qualquer interrupção adicional pode empurrar o Brent – que saltou de US$ 70 para mais de US$ 100 – a patamares inéditos desde 2022, pressionando inflação e câmbio em economias dependentes de importação de combustíveis.
“Se houver necessidade de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb para punir ainda mais o inimigo, os heróis do Ansar Allah do Iêmen estão totalmente preparados”, afirmou fonte militar iraniana à Tasnim.
O que muda para o Brasil e o mundo
Analistas ouvidos pela Band lembram que o estreito é vital não apenas para petróleo, mas também para contêineres com grãos, eletrônicos e fertilizantes. Companhias marítimas já estudam desviar navios pelo Cabo da Boa Esperança, o que adiciona até 10 dias às rotas entre Ásia e Europa.
Para o consumidor brasileiro, o efeito aparece primeiro na bomba: derivados mais caros afetam fretes e, por tabela, os preços dos alimentos. Relatórios do Banco Central apontam que choques anteriores no petróleo foram responsáveis por até 30% da variação do IPCA em períodos de conflito.
Enquanto isso, Washington divulgou alerta de segurança a cargueiros, citando “ameaça real” de mísseis e drones houthis na região. Israel, alvo de um disparo no sábado (28/03), reforçou escudos antimísseis no Mar Vermelho.
Crédito da imagem: Divulgação
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