A capital sergipana passou a contar, desde a segunda-feira, 1º/06, com a primeira unidade da Casa da Mulher Brasileira (CMB). O espaço, instalado no bairro Capucho, reúne em um mesmo endereço serviços da Delegacia da Mulher, Juizado de Violência Doméstica, Ministério Público, Defensoria Pública e áreas de acolhimento psicossocial, funcionando 24 horas por dia. O objetivo é oferecer atendimento integrado e humanizado a mulheres em situação de violência.
Presente à solenidade de abertura, a deputada federal Yandra Moura (União-SE) lembrou que a criação de equipamentos como a CMB tem sido uma das principais pautas de seu mandato. A parlamentar destacou a relevância da estrutura para o estado, que registrou, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 5.218 ocorrências de violência doméstica em 2025.
“Essa Casa da Mulher Brasileira foi muito sonhada e acreditada por cada um de nós. É uma porta de esperança aberta para as mulheres sergipanas. Ainda estamos longe de erradicar a violência contra a mulher, mas hoje damos um passo importante”, afirmou Yandra.
Com investimento de R$ 6,7 milhões, o prédio engloba salas para registro de boletins de ocorrência, solicitação de medidas protetivas, orientação jurídica e encaminhamento para redes de saúde e assistência social. Também há alojamentos temporários para mulheres que precisem deixar o lar imediatamente após a denúncia.
Durante a inauguração, Yandra voltou a defender o Projeto de Lei nº 409/2023, que amplia o apoio financeiro da União para municípios a partir de 15 mil habitantes instalarem casas de acolhimento. Hoje, o modelo federal contempla apenas cidades com mais de 150 mil moradores. Segundo a deputada, a mudança beneficia sobretudo municípios do interior sergipano, onde o deslocamento até a capital pode representar barreira ao atendimento.
“O combate à violência contra a mulher exige ações concretas, investimento e compromisso permanente. A entrega da Casa da Mulher Brasileira fortalece a rede de proteção e representa uma conquista importante para Sergipe”, concluiu a parlamentar.
O evento contou ainda com a presença do ex-deputado federal André Moura, que se colocou como pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026, além de representantes do Judiciário, Ministério Público e movimentos sociais ligados aos direitos das mulheres.
A Casa da Mulher Brasileira de Aracaju integra o Programa Mulher Viver sem Violência, do governo federal. A unidade funcionará em regime de portas abertas, sem necessidade de encaminhamento prévio, e poderá receber mulheres de qualquer município sergipano. Para Yandra Moura, a inauguração simboliza um “reforço à rede de proteção” e deve estimular outras cidades a estruturarem serviços semelhantes.
A iniciativa chega em um momento no qual Sergipe busca reduzir os índices de feminicídio. Em 2025, o estado registrou 14 casos, número igual ao apurado em 2024. Entidades que atuam na área consideram que o acesso facilitado a delegacias especializadas e abrigo temporário pode incentivar a denúncia precoce, fator essencial para evitar a escalada da violência.
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