Rio de Janeiro/RJ – A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desencadeou um choque no petróleo que, em pouco mais de um mês, catapultou as ações preferenciais PETR4 da Petrobras de R$ 39,33 para R$ 47,29, uma valorização aproximada de 20%.
- Em resumo: Disparo do Brent para até US$ 116,25 fez investidores correrem para a estatal e reforçou o caixa do Tesouro.
Por que o conflito elevou tanto a ação
O preço do barril Brent, parâmetro global, saiu de US$ 73,25 em 27 de fevereiro para US$ 107,94 em 2 de abril. A escalada se intensificou quando o Irã sinalizou bloqueio ao estreito de Ormuz, rota de 20% da produção mundial de petróleo, segundo dados do Banco Central.
Especialistas apontam que, diferentemente dos choques de 1973 e 1979, o Brasil agora é autossuficiente em óleo cru, condição que torna a Petrobras uma aposta defensiva em tempos de incerteza.
“Os preços do petróleo em alta podem aumentar exportações, receitas tributárias e dividendos ao Tesouro”, analisam István Kecskeméti e Zoltan Horváth.
Ganhos para a empresa e riscos ao consumidor
Com produção recorde de 5,304 milhões de boe/d em fevereiro, a companhia ampliou a margem de lucro que já havia crescido quase 200% em 2024, superando R$ 110 bilhões. A presidente Magda Chambriard fala até em autossuficiência de diesel em cinco anos, frente à meta anterior de 80%.
Apesar disso, o Brasil ainda importa derivados. A disparada no Brent pressionou o diesel, que subiu quase 20% nos postos, gerando relatos de racionamento no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso e levando o governo Lula a zerar PIS/Cofins e subsidiar R$ 0,32 por litro.
Impacto fiscal e político imediato
A forte valorização das ações turbina os dividendos da União — só em março, PETR4 avançou 18%. No entanto, a alta dos combustíveis ameaça a inflação e colocou o Planalto em alerta: Lula classificou um leilão de GLP com sobrepreço de “cretinice” e cogitou anular o processo, embora tenha poupado a diretoria da estatal.
Analistas como Maurício Weiss, da UFRGS, enxergam “síntese de fatores conjunturais e estruturais” no desempenho da companhia. Para o Dieese, o cenário mostra que a transição energética continua dependente do embate geopolítico entre Estados Unidos e China.
Crédito da imagem: Divulgação
Veja mais análises sobre o cenário econômico na editoria de Economia.
Você acredita que a Petrobras deve acelerar a autossuficiência em diesel mesmo com a pressão por energia limpa? Compartilhe sua opinião na nossa seção de comentários.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








