Buenos Aires – O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) revelou que, no segundo semestre de 2025, cerca de 6 milhões de argentinos deixaram a linha da pobreza, reduzindo o contingente para 8,5 milhões de pessoas e a taxa para 28,2% da população.
- Em resumo: Pobreza cai 3,4 pontos percentuais, mas 1,9 milhão segue na indigência.
Por que o recuo impressiona
A brusca redução vem após um biênio marcado por inflação de três dígitos e cortes de subsídios. O recuo de 3,4 p.p. em apenas seis meses devolve o índice a níveis pré-pandemia, segundo números oficiais que podem ser conferidos no Banco Central do Brasil para comparação regional.
Analistas enxergam efeito imediato de exportações aquecidas e da recuperação de setores como energia e mineração, responsáveis pela maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,4% em 2025.
“Do lado da demanda, o crescimento do PIB foi sustentado principalmente pelas exportações, enquanto o consumo interno permaneceu fraco”, reforça Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira.
O que ainda preocupa Milei
Apesar do avanço, a indigência ainda atinge 6,3% dos argentinos — 1,9 milhão sem acesso nem mesmo à cesta básica. O desemprego subiu para 7,5%, o maior patamar desde a Covid-19, reforçando o desafio de converter estabilidade macro em geração de renda.
As reformas pró-mercado de Javier Milei, aplaudidas por investidores, enfrentam resistência popular. A recente suspensão judicial de 82 artigos da reforma trabalhista adiciona incerteza e pressiona o governo a entregar resultados palpáveis antes do próximo ano eleitoral.
Economistas projetam crescimento de 3,4% para 2026, mas alertam que o consumo das famílias só reagirá quando a renda acompanhar a desaceleração inflacionária, hoje em 31,5% ao ano.
No Brasil, discussões semelhantes sobre equilíbrio fiscal e combate à pobreza podem ser acompanhadas em análises da editoria de Economia do Se Pôr Dentro.
Crédito da imagem: Divulgação / Tomas Cuesta – Reuters
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