Documento encaminhado pela Receita Federal à CPMI do INSS revela que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, obteve ganho superior a R$ 440 milhões em 2023 por meio da compra e venda de cotas de fundos administrados pela Reag Investimentos, gestora já investigada por suspeita de lavagem de dinheiro.
Operação relâmpago elevou preço em 116 vezes
Segundo a declaração de Imposto de Renda de 2024, Vorcaro comprou cotas do fundo Hans II por R$ 2,5 milhões em 27 de dezembro de 2023. Apenas um dia depois, revendeu esses ativos ao fundo Itabuna por R$ 294,5 milhões, somando lucro de quase R$ 292 milhões. A movimentação fez o valor das cotas saltar 116 vezes, com valorização de 11.474% em 24 horas.
Lucro expressivo em outra operação na mesma gestora
O documento mostra ainda que, entre 31 de maio e 7 de junho do mesmo ano, o banqueiro repetiu a estratégia: adquiriu novas cotas do Hans II por R$ 10 milhões e, uma semana depois, repassou-as ao Astralo Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado I — conhecido como Astralo 95 — por R$ 160 milhões. O ganho adicional chegou a R$ 150 milhões, resultado de uma valorização de 1.500%.
Somadas, as duas operações renderam R$ 441.955.496,90 a Vorcaro, multiplicando em 36 vezes o capital aplicado, com rentabilidade global de 3.523%.
Reag sob investigação e transferência de ativos
A Reag Investimentos é alvo da Operação Compliance Zero, que também apura suposto esquema bilionário envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal investiga indícios de inflação artificial de resultados, ocultação de riscos e lavagem de dinheiro em fundos estruturados pela gestora. A empresa foi igualmente citada na Operação Carbono Oculto, relacionada à chamada “máfia dos combustíveis”, e teve liquidação decretada pelo Banco Central em janeiro.
A documentação da Receita indica ainda que, em 2025, Vorcaro transferiu R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma offshore nas Ilhas Cayman, dos quais R$ 555,7 milhões saíram do GSR Fundo de Investimento — cujo acionista único é o Astralo 95.
Prisão e posicionamento da defesa
O banqueiro foi detido duas vezes no âmbito da Operação Compliance Zero: a primeira em 17 de novembro, quando se preparava para viajar para a Europa, e a segunda em 4 de março, em São Paulo, durante a terceira fase da investigação. Após passagem pela Penitenciária 2 de Potim (SP), foi transferido para o sistema penitenciário federal em Brasília, medida que, segundo a Polícia Federal, busca preservar sua integridade física.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentará o caso.
Fonte: g1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








