Aracaju (SE) – O preço do café moído ficou 2,17% mais baixo em agosto na comparação com julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a segunda queda mensal seguida após um ano e meio de aumentos. Mesmo assim, a trégua deve durar pouco: a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) projeta reajuste de 10% a 15% já nas próximas semanas.
Volta aos níveis de dezembro
De acordo com o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, o quilo do café vendido ao consumidor tende a retornar a cerca de R$ 80, patamar registrado em dezembro do ano passado. O repasse é atribuído ao encarecimento do grão pago pela indústria desde o início de agosto.
Escalada no campo
No mercado produtor, os preços do arábica e do robusta retomaram a trajetória de alta após breve recuo observado a partir de março. Entre os fatores que puxam as cotações estão:
- tarifa de 50% adotada pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, o que impulsionou os contratos na bolsa de Nova York;
- estoques globais em nível baixo após quatro safras reduzidas nos principais países produtores;
- queda de 18,7% na colheita brasileira de arábica em 2025, segundo estimativa da StoneX Brasil;
- geadas no Cerrado Mineiro, que causaram perda de 424 mil sacas (25 mil toneladas).
Efeito da tarifa norte-americana
O analista Fernando Maximiliano, da StoneX, lembra que o mercado esperava a exclusão do café na lista de produtos tarifados pelo governo dos EUA, o que não ocorreu. Com o deságio frustrado, as cotações dispararam e a oferta para o mercado interno não aumentou. “O excedente que iria para os EUA será direcionado a outros destinos, especialmente a Europa”, afirma.
Safra menor e grão mais leve
Além de colher menos, os produtores relatam grãos menores e mais leves, o que exige maior volume para completar uma saca de 60 quilos — outro elemento de pressão sobre os preços. Entre 2020 e 2025, a saca de arábica saltou de cerca de R$ 600 para R$ 2.500.
Para acompanhar os indicadores oficiais de inflação e preços agrícolas, consulte a página do IBGE, responsável pelo levantamento divulgado este mês.
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Mesmo com o alívio registrado em agosto, especialistas alertam que a combinação de estoques enxutos, problemas climáticos e novas tarifas continuará a influenciar o bolso do consumidor brasileiro nos próximos meses.
Com informações de g1
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