Bruxelas, 18 de dezembro de 2025 – Começa nesta quinta-feira (17) a reunião do Conselho Europeu que pode selar o destino do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo de 25 anos e politicamente firmado em 2019. Os 27 governos do bloco europeu precisam alcançar maioria qualificada – apoio de pelo menos 15 países que representem 65% da população da UE – para autorizar a Comissão Europeia a assinar o texto final no sábado (20), em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do Mercosul.
Etapas anteriores
O processo ganhou fôlego nesta semana quando o Parlamento Europeu aprovou, por 431 votos a 161, um pacote de salvaguardas agrícolas. O mecanismo permite reintroduzir tarifas sobre produtos do Mercosul se as importações subirem mais de 5% em média por três anos, reduzindo o prazo de investigação de seis para três meses – ou dois, no caso de itens agrícolas.
Pontos de resistência
França e Polônia declararam voto contrário. Bélgica e Áustria demonstram reservas, e a Itália aparece como fiel da balança: caso Roma se junte aos opositores, o acordo não atingirá o quorum populacional necessário. As salvaguardas, capitaneadas por parlamentares franceses, pretendem proteger produtores locais de carne bovina e aves, historicamente beneficiados pela Política Agrícola Comum.
Exigências ambientais
Desde 1999, o texto original incorporou temas ambientais alinhados à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A cláusula de reciprocidade autoriza a UE a exigir dos sócios sul-americanos padrões equivalentes aos europeus em matéria ambiental e sanitária.
Impacto para o Brasil
Maior economia do Mercosul, o Brasil passaria a ter acesso preferencial a um mercado de 451 milhões de consumidores. Por outro lado, a redução de tarifas para manufaturados europeus aumentaria a concorrência interna. Especialistas apontam que o resultado dependerá da capacidade de adaptação da indústria nacional durante o período de transição previsto no tratado.
Próximos passos
Se o Conselho Europeu aprovar o texto, a assinatura formal ocorrerá no sábado (20). Caso contrário, o processo volta à estaca zero, ampliando o risco de o Brasil intensificar laços comerciais com parceiros asiáticos, especialmente a China, que já absorve mais que o dobro das exportações brasileiras destinadas à Europa.
O Conselho Europeu reúne-se novamente na sexta-feira (18) para concluir a votação. Até lá, diplomatas brasileiros e europeus mantêm negociações de última hora em busca de alinhamento, sobretudo com a Itália.
Com informações de G1
Estudos sobre o processo decisório da UE podem ser consultados no portal oficial do Conselho da União Europeia.
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