Dados do Banco Central, analisados pelo Observatório da Indústria, mostram alta no crédito em Sergipe em julho. Houve avanço mensal de 0,5% e as famílias seguem como principais tomadoras de recursos.
O saldo total das operações de crédito registradas em Sergipe chegou a cerca de R$ 46,2 bilhões no mês de julho, mostram dados do Banco Central analisados pelo Observatório da Indústria do Sistema FIES. O montante inclui empréstimos, financiamentos, adiantamentos e contratos de arrendamento mercantil firmados por instituições do Sistema Financeiro Nacional que atuam no estado. Em relação a julho de 2025, o volume foi 12,4 % maior. Já na comparação com junho deste ano, houve incremento de 0,5 %.
As famílias permaneceram como principais tomadoras de recursos. O segmento de pessoas físicas concentrou aproximadamente R$ 36 bilhões, o equivalente a 78 % de todo o crédito em Sergipe. Na variação mensal, o saldo avançou 0,7 %, enquanto o crescimento em 12 meses ficou em 9,9 %.
Entre as empresas, o saldo totalizou R$ 10,2 bilhões, correspondendo a 22 % do estoque estadual. O volume representou aumento de 22,3 % em relação a julho do ano passado, mas recuou 0,4 % quando comparado a junho.
Apesar da expansão, o indicador de inadimplência continuou elevado. A taxa geral, que contabiliza contratos com atraso superior a 90 dias, encerrou julho em 5,32 %. Nas carteiras empresariais, a inadimplência atingiu 4,45 %. Já nas operações direcionadas às pessoas físicas, a taxa foi ainda maior: 5,57 %. Especialistas do observatório avaliam que, embora o mercado de crédito mostre fôlego, a persistência de atrasos reforça a necessidade de gestão rigorosa de riscos por parte das instituições financeiras e atenção redobrada dos consumidores ao contratar novas dívidas.
O levantamento evidencia também a diferença de ritmo entre os dois públicos. Nas empresas, o salto anual acima de 22 % sugere retomada de investimentos e capital de giro após um período de restrição financeira. Entre os consumidores, o crescimento — embora menos intenso — indica manutenção da demanda por crédito para aquisição de bens duráveis, despesas correntes e renegociação de compromissos já assumidos.
Analistas do setor observam que fatores macroeconômicos, como trajetória da taxa básica de juros, inflação e renda das famílias, influenciam diretamente as decisões de tomada de crédito e podem alterar o comportamento dos indicadores nos próximos meses. A tendência será acompanhada pelos agentes do mercado para avaliar se a alta no volume de recursos continuará se refletindo em expansão sustentável, sem pressionar ainda mais a inadimplência.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








