Brasília – As vendas de carne bovina do Brasil para a Argentina registraram forte avanço em 2025. Entre janeiro e outubro, os frigoríficos brasileiros embarcaram 11 mil toneladas ao país vizinho, volume 2.028% superior às 526 toneladas enviadas em igual intervalo de 2024, mostram dados do Ministério da Agricultura.
Tarifa norte-americana impulsiona compras argentinas
Analistas apontam que o “tarifaço” aplicado pelos Estados Unidos sobre a carne brasileira, em vigor desde abril e elevado para 50% em agosto, provocou mudanças no fluxo mundial. Com acesso facilitado ao mercado norte-americano, a Argentina aumentou seus embarques para os EUA e passou a usar carne brasileira para suprir parte da demanda interna. O pico de importação ocorreu em setembro, um mês após a sobretaxa chegar ao nível máximo.
Oferta interna menor
A procura pela carne brasileira também reflete a queda da produção argentina. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o rebanho local caiu de 68,8 milhões de cabeças em 2023 para 67 milhões previstos para 2025, afetado por secas relacionadas ao fenômeno La Niña e por políticas de limitação às exportações adotadas entre 2019 e 2023.
Mudança na política de exportação
O governo liberal de Javier Milei zerou, entre 22 de setembro e 31 de outubro, a alíquota de exportação da carne bovina, reversão da cobrança de 9% criada na gestão anterior. A medida estimulou novos embarques e sustentou a alta dos preços domésticos, levando frigoríficos a buscar proteína mais barata no Brasil.
Diferença de preços favorece o Brasil
Levantamento da Agrifatto indica que o boi gordo brasileiro custa, em média, US$ 61 a arroba, contra US$ 74,8 na Argentina. No Uruguai, o valor chega a US$ 75,7, e no Paraguai, a US$ 64,5. A competitividade explica a preferência argentina pelo produto brasileiro.
Ainda que representem menos de 1% do volume adquirido pela China, principal destino da carne nacional, as compras argentinas chamam a atenção do mercado. Consultores projetam que, com a produção local restringida ao longo de 2026, a demanda da Argentina pelo Brasil deve permanecer elevada.
Relatórios sobre oferta e demanda global podem ser consultados no site do Departamento de Agricultura dos EUA.
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As exportações recordes mostram a importância da competitividade brasileira no mercado mundial de proteína animal. Continue acompanhando o Sergipe por Dentro para mais notícias do setor.
Com informações de g1
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