Buenos Aires – O presidente da Argentina, Javier Milei, recebeu nesta semana sinalização de apoio financeiro dos Estados Unidos para tentar conter o agravamento da crise cambial e política que ameaça seu governo.
Reunião com Trump e promessa de ajuda
No domingo (22/9), em Nova York, Milei encontrou-se com o ex-presidente norte-americano Donald Trump. Ao lado do argentino, Trump afirmou que Milei “tem feito um trabalho fantástico” e prometeu: “Vamos ajudá-los”.
Horas antes da abertura de Wall Street, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, publicou no X que Washington está disposto a fazer “o que for necessário” para apoiar a Argentina. Entre as opções citadas estão:
- linha de swap cambial;
- compras diretas de moeda estrangeira;
- aquisição de títulos públicos argentinos denominados em dólares pelo Exchange Stabilization Fund (ESF).
Em caso de aprovação, será uma medida rara. A última grande operação semelhante ocorreu em 1994, quando o então presidente Bill Clinton autorizou US$ 20 bilhões ao México durante o chamado “Efeito Tequila”.
Banco Mundial libera recursos
Na terça-feira (23/9), o Banco Mundial – cujo maior acionista são os EUA – adiantou o desembolso de US$ 4 bilhões de um pacote total de US$ 12 bilhões destinado a Buenos Aires.
Reservas em queda e pressão do mercado
A confiança dos investidores começou a se esvair em meados do ano, quando ficou evidente que as reservas do Banco Central estavam praticamente esgotadas. Nos últimos dias, a autoridade monetária gastou mais de US$ 1 bilhão para tentar conter a volatilidade do câmbio.
Entre os principais fatores que explicam a deterioração estão:
- Escassez de dólares: o país não acumulou reservas suficientes para honrar compromissos externos, forçando aperto monetário com juros altos e freando o crescimento.
- Instabilidade política: derrota legislativa na província de Buenos Aires e um escândalo envolvendo Karina Milei, irmã do presidente, abalaram o apoio ao governo, que é minoria no Congresso.
- Peso supervalorizado: economistas estimam que a moeda esteja até 30% acima do nível de equilíbrio, pressionando exportações e reservas. Especialistas defendem uma desvalorização controlada.
Na tentativa de atrair divisas, o governo suspendeu temporariamente até 31 de outubro os impostos sobre exportação de grãos. O ajuste vale cinco dias após as eleições legislativas que renovarão metade do Congresso.
Próximos passos
Faltam detalhes sobre o montante e as condições de um eventual empréstimo norte-americano. Também não se sabe quais garantias Washington exigirá. As negociações devem avançar nas próximas semanas, período considerado crucial para Milei consolidar apoio político e minimizar o risco de nova turbulência financeira.
As eleições de outubro serão determinantes para avaliar a capacidade do presidente de implementar seu programa econômico num cenário de reservas baixas, inflação alta e perda de popularidade.
Fim.
Com informações de g1
Segundo dados do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o Exchange Stabilization Fund pode ser usado em emergências cambiais desde 1934, reforçando a relevância do instrumento para a proposta de apoio a Buenos Aires.
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