São Paulo – A tarifa adicional de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre a carne bovina do Brasil, em vigor desde agosto, tende a causar efeitos restritos sobre as maiores empresas do setor, avaliam JBS, Marfrig e Minerva. As companhias afirmam contar com unidades produtivas fora do país que permitem redirecionar embarques e proteger receitas.
Estratégia de diversificação
No dia seguinte ao anúncio do tarifaço feito pelo ex-presidente Donald Trump, a Minerva comunicou ao mercado que a medida pode representar, no máximo, 5% de sua receita total em 2025. A empresa exporta aos EUA a partir de plantas localizadas na Argentina, Paraguai, Uruguai e Austrália. No ano passado, as vendas ao mercado norte-americano corresponderam a 16% do faturamento da companhia, sendo que apenas 30% desse percentual teve origem no Brasil.
A Marfrig também informou aos investidores que não depende exclusivamente de unidades brasileiras para atender aos Estados Unidos. Em 2025, as exportações de carne bovina e processados do Brasil para aquele destino representaram 1,4% das vendas da operação sul-americana e apenas 0,18% da receita global do grupo.
Já a JBS declarou, na divulgação do balanço do segundo trimestre, que ainda é cedo para mensurar o impacto total da sobretaxa, mas reforçou não ter registrado efeito relevante até junho, quando a tarifa extra era de 10%. Segundo o CEO global, Gilberto Tomazoni, a plataforma internacional da companhia — com fábricas no México, Austrália e no próprio território norte-americano — permite realocar produção rapidamente e “mitigar bastante o impacto”. Algumas plantas no Brasil chegaram a suspender operações por pouco tempo e retomaram as atividades para direcionar volumes a outros mercados, informou o executivo à Reuters.
Contexto do mercado norte-americano
Os Estados Unidos atravessam o menor nível de rebanho bovino da história recente, o que tem elevado a dependência de carne importada e pressionado os preços internos. Projeções da JBS indicam que a oferta de gado no país só deve começar a se recuperar no fim de 2027.
Além disso, a indústria local enfrenta o fechamento temporário da fronteira com o México, decretado em maio após casos de bicheira-do-Novo Mundo, parasita que afeta o gado. Essa restrição reduziu ainda mais o fluxo de animais vivos ao mercado norte-americano.
Perdas potenciais para o Brasil
Apesar da menor exposição das três gigantes do setor, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) calcula que o tarifaço possa resultar em perdas de até US$ 1 bilhão para o país em 2025. O presidente da entidade, Roberto Perosa, disse que JBS e Marfrig negociam com empresas e autoridades dos EUA na tentativa de excluir a carne brasileira da sobretaxa.
Imagem: g1.globo.com
Os embarques do Brasil para os Estados Unidos foram recordes no início do ano, mas começaram a recuar em maio, após a tarifa extra de 10% entrar em vigor em abril. Ainda assim, as exportações totais de carne bovina brasileira atingiram novo recorde em julho, de acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).
Levantamento recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirma a queda histórica do plantel de gado norte-americano, fator que deve manter a demanda por produto estrangeiro elevada no curto prazo.
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Resumo: JBS, Marfrig e Minerva preveem efeitos limitados da tarifa de 50% dos EUA graças à produção fora do Brasil. Mesmo assim, o setor estima perdas que podem chegar a US$ 1 bilhão em 2025. Continue acompanhando o Se Pôr Dentro para atualizações sobre o agronegócio e impactos no comércio exterior.
Com informações de g1




