São Paulo – A Copape, refinaria de gasolina localizada em Guarulhos, e a distribuidora Aster Petróleo são apontadas como peças centrais de um esquema de fraude fiscal, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Polícia Federal e Receita Federal. A ação faz parte da Operação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (28).
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as duas empresas foram adquiridas em 2020 por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e por Renato Steinle de Camargo, por R$ 52 milhões. Mourad é descrito pelos promotores como “epicentro das operações” que utilizavam todo o segmento de combustíveis — de usinas a postos — para movimentar e ocultar recursos que, de acordo com a investigação, abasteciam a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para reduzir a carga tributária, o grupo empregava a empresa Terra Nova Trading, com filial no Tocantins, na importação da matéria-prima Naphtha. O imposto estadual de 1% naquele estado contrastava com a alíquota de 25% em São Paulo. Depois, o produto seguia diretamente à refinaria da Copape em Guarulhos, permitindo a produção de gasolina e etanol a preços inferiores aos praticados no mercado.
Além da produção, o MP-SP afirma que o Grupo Copape/Aster controla indiretamente mais de mil postos em vários estados, alguns com bandeiras conhecidas. Parte dessas aquisições teria ocorrido sob coerção: donos de postos independentes relatam ameaças de morte caso recusassem a venda.
Laudos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que combustíveis vendidos pela rede continham até 90% de metanol, embora o limite legal seja 0,5%. O derrame de produto adulterado e mais barato, ainda segundo a força-tarefa, gerou concorrência desleal e desequilíbrio no setor.
Em 2023, Copape e Aster pediram recuperação judicial após terem as licenças cassadas pela ANP por irregularidades operacionais. No processo, as empresas reconhecem dívida de R$ 830 milhões e alegam não terem sido notificadas previamente pelo órgão regulador. A Receita Federal aponta sonegação de R$ 1,3 bilhão em ICMS entre 2020 e 2021.
A Justiça decretou a indisponibilidade dos bens de Mourad e Camargo. As investigações continuam para mapear outros envolvidos e quantificar o total movimentado.
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Dados oficiais sobre limites de metanol em combustíveis podem ser consultados no site da Agência Nacional do Petróleo.
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Com informações de g1




