Com a Conferência do Clima (COP30) marcada para acontecer em Belém daqui a pouco mais de um mês, o Jornal Nacional iniciou uma série de reportagens que mostra como o agronegócio brasileiro reage às mudanças do clima. A edição de estreia, veiculada nesta segunda-feira (6/10/2025), detalha os desafios enfrentados por agricultores de arroz e feijão, dupla que sustenta a base da alimentação no país.
Plantio atrasado no Rio Grande do Sul
Em dezembro de 2024, sete meses após as enchentes que castigaram o Rio Grande do Sul, produtores da região central ainda lidavam com solo encharcado e janelas de plantio comprometidas. O orizicultor Edislei Cechin precisou abrir valetas para drenar a água antes de colocar máquinas no campo. Segundo o engenheiro agrônomo do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), Ênio Coelho, cada dia de atraso após 15 de novembro reduz a produtividade por hectare.
Responsável por 70% do arroz consumido no país, o estado mede a urgência em números: “Se não fizer grão, não há renda”, resume o produtor Luiz Fernando Cauduro, que só havia semeado 30% de sua área dentro do prazo ideal.
O pesquisador da Embrapa, Adriano Pereira de Castro, alerta que grandes perdas no Sul trariam risco ao abastecimento interno, já que o cereal representa quase 20% das calorias diárias do brasileiro.
Novo mapa do arroz no Cerrado
No Cerrado goiano, o cenário é oposto: falta chuva, mas sobra irrigação. O produtor Gabriel Gomes de Moraes introduziu o arroz em 2023 utilizando pivôs centrais que chegam a um quilômetro de extensão. A cultura só se viabilizou após o lançamento, em 2020, da cultivar BRS A502, que resiste ao solo fértil da região e utiliza um sexto da água necessária nos sistemas inundados.
A variedade expandiu fronteiras e já chega a Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia, muitas vezes com pouca ou nenhuma irrigação.
Zoneamento agrícola em revisão
Com temperaturas mais altas, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), criado em 1996, passa por ajustes. O pesquisador Silvando Carlos da Silva, um dos pioneiros do programa, observa que cultivares adaptados ao Centro-Oeste podem migrar ao Sul, que tende a aquecer. “É uma mudança na geografia dos cultivos”, afirma.
Mosca branca compromete o feijão
O aquecimento também favorece pragas. No feijão, a mosca branca impôs perdas de até 60% em 2024 e levou o produtor paulista Antônio Prata a abandonar a cultura nesta safra. No Centro-Oeste, Mateus Carvalho Ribeiro desembolsou mais para conter infestações virais transmitidas pelo inseto.
Após 12 anos de pesquisa, a Embrapa e uma empresa privada transformaram um fungo que ataca a mosca em defensivo biológico. “Qualquer adulto que passa pela superfície contaminada adoece e morre”, explica a pesquisadora Heloiza Alves Boaventura. O produto ainda requer associação a outros métodos, mas devolve parte do controle ao agricultor.
Enquanto a natureza impõe novos limites, produtores investem em cultivares resistentes, irrigação racional e defensivos biológicos para tentar manter arroz e feijão no prato do brasileiro.
Com informações de Jornal Nacional
O Ministério da Agricultura explica em detalhes as regras e as atualizações do ZARC em seu portal oficial, disponível neste link.
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Em resumo, a tecnologia tem sido aliada decisiva para mitigar prejuízos causados pelo clima extremo. Continue navegando pelo nosso portal e mantenha-se informado sobre as próximas etapas desta série especial.
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