Um editorial da revista britânica The Economist publicado na quinta-feira (12/2) usa o Brasil como exemplo de alerta para as economias avançadas. O texto afirma que países ricos “deveriam temer a brasilização”, expressão utilizada para descrever um cenário em que juros elevados transformam o serviço da dívida pública em um problema cada vez mais difícil de administrar.
De acordo com a publicação, o paradoxo brasileiro combina sinais normalmente positivos — crescimento, Banco Central independente e resultado primário quase equilibrado — com uma dinâmica de endividamento classificada como “explosiva”. Com a taxa Selic em torno de 15% ao ano, a estimativa é de que o governo precise captar aproximadamente 8% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente apenas para pagar juros, ainda que as contas primárias estejam perto do zero a zero.
Dívida pode chegar a 99% do PIB
Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) citadas pela revista apontam que a dívida pública bruta brasileira deve alcançar 99% do PIB em 2030 — em 2010, o indicador era de 62%. A publicação descreve que, diante desse quadro, o país deverá escolher entre “profunda austeridade” ou uma “espiral aterradora” de juros e endividamento.
A alternativa do ajuste fiscal rigoroso, contudo, é vista como politicamente improvável. O artigo menciona que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição em outubro, “afrouxou os cordões da bolsa”, reduzindo a margem para medidas de corte de gastos no curto prazo.
Por que o Brasil paga mais caro
A The Economist lista fatores institucionais e históricos que, segundo ela, explicam o custo mais alto do dinheiro no país: fragilidade institucional evidenciada durante a tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, memória recente de hiperinflação e rigidez orçamentária.
Somente as aposentadorias consomem cerca de 10% do PIB brasileiro e são protegidas constitucionalmente. Sem reformas, avalia o texto, o país poderá destinar em 2050 mais recursos a pensões do que nações “mais ricas e mais envelhecidas”.
Alerta para economias avançadas
Para a revista, o Brasil funciona como “sinal de aviso antecipado” para o mundo desenvolvido. Exemplos apontados incluem os Estados Unidos, onde pressões institucionais e inflação pós-pandemia já dariam mostras de uma possível “brasilização”.
Outro artigo divulgado na quarta-feira (11/2) reforçou que a trajetória fiscal brasileira é “insustentável” e que o problema vai além da política atual: interesses consolidados e regras constitucionais travam mudanças estruturais. A mesma análise reconheceu avanços recentes, como a criação de um teto para isenções tributárias e a adoção de um IVA dual, iniciativa que poderia acrescentar até 4,5% ao PIB até 2033.
Com informações de G1




