Washington (EUA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) que pretende substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed) e confirmou o economista Kevin Warsh como principal cotado para o cargo, cujo mandato atual termina em maio.
Pressões desde o início de 2025
No primeiro semestre de 2025, Trump passou a exigir cortes agressivos na taxa básica de juros. Em março, chamou de erro a decisão do Fed de manter os juros estáveis. Um mês depois, no “Dia da Libertação”, insistiu que juros menores ajudariam a compensar as novas tarifas de importação.
Em maio, durante reunião na Casa Branca, Trump afirmou a Powell que a não redução dos juros era um desacerto. O presidente do Fed respondeu, por comunicado, que as decisões se baseavam em dados econômicos e na independência prevista em lei.
Em junho, os ataques chegaram às redes sociais: Trump classificou Powell de “burro” e sugeriu ao Congresso que interviesse. Na mesma época, Powell disse ao Legislativo que não haveria pressa para cortar juros diante da incerteza inflacionária.
Escalada verbal no segundo semestre
Os meses seguintes ampliaram o embate. Em julho, Trump chamou Powell de “estúpido”. Em outubro, qualificou-o como “chefe incompetente do Fed” e, em novembro, a Casa Branca o rotulou de “mula de teimosia” por resistir à redução das taxas.
Investigação criminal e novos ataques
O clima piorou em janeiro de 2026, quando o Departamento de Justiça abriu investigação contra Powell por suposta má administração e falsos depoimentos ao Congresso sobre reformas em prédios do Fed.
No dia 11, Trump negou ter influenciado o processo, mas voltou a criticar o dirigente: “ele não é bom no Fed nem na construção de edifícios”. Powell respondeu, em vídeo, que a investigação era “pretexto” para intimidação política e que o banco central definia juros de acordo com o interesse público.
Três dias depois, o presidente afirmou à agência Reuters que ainda era cedo para decidir sobre uma demissão. Já em 29 de janeiro, após o Fed manter a faixa de 3,50% a 3,75%, Trump chamou Powell de “idiota” e disse que a política monetária “custa centenas de bilhões de dólares aos EUA”.
Indicação de Kevin Warsh
Em 30 de janeiro, Trump declarou que apresentará ao Senado o nome de Kevin Warsh, ex-diretor do próprio Fed, para assumir o posto em maio. Warsh é visto como alinhado à ideia de cortes de juros mais rápidos.
A sucessão de ataques expõe a tensão entre a Casa Branca e o banco central, cuja independência é considerada essencial por organismos como o Federal Reserve para garantir credibilidade à política monetária.
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Com informações de g1.globo.com




