São Paulo – O setor de aviação comercial enfrenta uma escassez mundial de pilotos que já provoca atrasos em operações, aumento de custos salariais e ameaça novos planos de expansão das companhias aéreas.
Como o problema começou
Durante a pandemia de Covid-19, escolas de aviação interromperam treinamentos e empresas adiaram contratações. Paralelamente, muitos comandantes experientes anteciparam a aposentadoria. Com a recuperação da demanda por viagens, especialmente de lazer, a indústria não consegue formar profissionais na mesma velocidade.
Dimensão da carência
O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos projeta a abertura de 18,2 mil vagas anuais para pilotos comerciais no país até 2033, somando mais de 180 mil postos na década. No cenário global, a Boeing calcula necessidade de 660 mil novos comandantes até 2044.
Custo e tempo de formação
Para obter o certificado de piloto de transporte aéreo (ATP) – requisito da Federal Aviation Administration (FAA) – são exigidas 1,5 mil horas de voo adicionais, o que pode levar até dois anos. O investimento nos EUA supera US$ 100 mil (aproximadamente R$ 535 mil). No Brasil, a formação completa chega a R$ 400 mil.
Reação das companhias
Empresas aéreas, sobretudo na América do Norte e na Europa, vêm reajustando salários, oferecendo bônus de contratação e flexibilizando escalas de trabalho. Ainda assim, sindicatos como o da Lufthansa ameaçam greve para pressionar por melhorias previdenciárias.
Idade de aposentadoria em debate
Desde 2006, a idade-limite para pilotos internacionais é 65 anos, definida pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Nos Estados Unidos, alguns parlamentares defendem elevar o limite para 67 anos, mas a proposta encontra resistência de sindicatos e autoridades regulatórias.
Soluções em análise
Especialistas sugerem ampliar centros de treinamento, recrutar profissionais de aviação executiva e investir em programas de bolsas de estudo. A adoção de inteligência artificial deve apoiar a operação, porém não substitui a presença humana na cabine no curto prazo.
A expectativa é de que a oferta de pilotos volte a se equilibrar somente após 2030, segundo projeções de consultores do setor.
Com informações de g1
De acordo com a Organização da Aviação Civil Internacional, mudanças regulatórias em saúde e segurança continuam sob avaliação para mitigar o impacto da falta de profissionais.
Para saber como a escassez impacta rotas nacionais, confira a cobertura completa em Destaques do Se Por Dentro.
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