A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Brasil avance 1,7% em 2025, desempenho inferior ao registrado no ano passado. O cenário desfavorável combina juros elevados, aumento das importações e queda prevista nas exportações após a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Transformação encabeça a desaceleração
Segundo a CNI, o segmento de transformação – responsável por converter matérias-primas em bens finais ou intermediários – vem “andando de lado” nos últimos meses, apesar do aquecimento do mercado de trabalho e da renda. O diretor de Economia da entidade, Mário Sérgio Telles, afirma que a maior parte da demanda interna recente tem sido satisfeita por produtos estrangeiros.
No Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o secretário de Desenvolvimento Industrial, Uallace Moreira, vê o resultado como positivo diante do contexto adverso. Ele estima expansão entre 1,5% e 1,8% para a produção industrial, enquanto o PIB nacional deve crescer cerca de 2,5% em 2025.
Pessimismo empresarial em alta
O Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pelo FGV Ibre, recuou 4,4 pontos em agosto, maior queda desde o auge da pandemia. Para o economista Stéfano Pacini, a política monetária restritiva encarece o crédito e desestimula investimentos, sobretudo em bens duráveis e equipamentos.
Na mesma linha, o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Rafael Cagnin, destaca que a elevação da Selic desde o fim de 2024 retirou dinamismo do setor.
Tarifaço norte-americano é nova barreira
Desde 6 de agosto, as exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas a uma tarifa total de 50%. Anunciada pelo presidente Donald Trump, a medida é vista por Cagnin como “mais uma pedra no caminho” da indústria nacional. O governo brasileiro tenta reverter a decisão e lançou um pacote de crédito que soma R$ 40 bilhões — R$ 30 bilhões via Tesouro e R$ 10 bilhões oferecidos pelo BNDES — para socorrer empresas afetadas.
Entre os setores mais sensíveis estão calçados e autopeças, cujos produtos seguem padrões específicos do mercado norte-americano, o que dificulta a redireção das vendas para outros destinos.
Apesar da ajuda emergencial, especialistas alertam que a solução de médio e longo prazo passa por acordos comerciais, redução do chamado “Custo Brasil” e maior diversificação dos mercados atendidos.
Perspectiva
Sem queda expressiva dos juros ou reversão do tarifaço, a CNI avalia que o baixo ritmo de crescimento deve persistir ao longo de 2025, com impacto mais intenso sobre os segmentos dependentes de crédito e voltados à exportação.
Dados adicionais sobre o desempenho do setor estão disponíveis no site oficial da CNI.
Para acompanhar outras notícias sobre economia e política industrial, o leitor pode visitar a seção de Política do nosso portal.
Em resumo, a combinação de juros altos e barreiras comerciais externas pressiona a indústria brasileira, que espera crescimento modesto em 2025. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta matéria nas suas redes.
Com informações de g1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








