O avanço da geração de vagas formais e a taxa de desemprego mais baixa desde o início da série histórica têm fortalecido a posição do trabalhador na negociação com as empresas. A avaliação é de Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV IBRE. Em entrevista ao podcast O Assunto, exibido na quinta-feira (5), o economista explicou que o cenário atual reduz o desequilíbrio tradicional existente entre empregado e empregador.
Menos desocupados, mais propostas
Números recentes corroboram a análise. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de desocupação ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar já registrado. No mesmo período, o Ministério do Trabalho contabilizou a criação de 1,27 milhão de postos de trabalho com carteira assinada. A combinação de escassez de mão de obra e abertura de novas vagas obrigou companhias de diversos ramos a rever salários e pacotes de benefícios para atrair ou reter profissionais.
Tobler destaca que, diante de oportunidades semelhantes em empresas diferentes, o funcionário se sente mais confortável para negociar remuneração, carga horária e vantagens extras. “Quando o mercado está aquecido, o trabalhador percebe que sua mão de obra virou artigo raro e passa a exercer maior poder de escolha”, afirmou.
Setores com reajustes mais robustos
Entre os segmentos que mais elevaram o salário de admissão em 2025, o economista cita o varejo supermercadista, conhecido por escalas extensas de trabalho. A demanda por profissionais nesse ramo levou empregadores a melhorar não só o valor pago na contratação, mas também benefícios como vale-alimentação, assistência médica e regimes de jornada ajustados.
O reforço nos incentivos não se limita a setores específicos. De acordo com Tobler, empresas de diferentes áreas passaram a oferecer pacotes mais completos, que incluem, por exemplo, bonificações por desempenho, programas de qualificação e flexibilização de horários. O objetivo é aumentar a atratividade diante de um mercado no qual o profissional, e não mais a organização, detém maior poder de barganha.
Podcast acumula audiência
O Assunto, produto diário do g1 disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube, soma mais de 168 milhões de downloads desde a estreia, em agosto de 2019. No YouTube, os episódios ultrapassam 14,2 milhões de visualizações. A conversa com Tobler pode ser ouvida a partir do minuto 16:42 do programa publicado em 08 de fevereiro de 2026.
Com a manutenção de um mercado de trabalho dinâmico e a consequente redução da ociosidade, especialistas avaliam que o equilíbrio entre forças de empregado e empregador tende a perdurar, pelo menos enquanto persistir a dificuldade das empresas em preencher vagas e manter talentos.
Com informações de G1




