WASHINGTON, 6 de fevereiro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (6) um decreto que eleva, de forma temporária, a cota de importação de carne bovina argentina com tarifa reduzida.
Pelo texto, o limite sobe em 80 mil toneladas métricas em 2026 e vale apenas para aparas magras – pequenos retalhos com baixo teor de gordura que sobram da desossa de peças maiores.
O objetivo declarado do governo é aumentar a oferta de carne moída e tentar frear os preços, que bateram recorde no ano passado diante da combinação de forte demanda e menor oferta de gado. O encarecimento elevou o custo de vida — tema explorado por opositores democratas nas eleições de 2025 —, mas beneficiou pecuaristas, tradicionalmente alinhados a Trump.
“Como presidente dos EUA, tenho a responsabilidade de garantir que trabalhadores americanos consigam alimentar a si e suas famílias”, afirmou o republicano no decreto, elaborado após conversas com o secretário de Agricultura.
Reações divergentes
Economistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que o acréscimo das 80 mil toneladas dificilmente trará alívio relevante ao bolso do consumidor, mas tende a favorecer grandes processadoras de alimentos. Já representantes do setor pecuário criticaram a decisão.
“Em vez de importações que prejudicam pecuaristas americanos, deveríamos focar em reduzir burocracia, cortar custos de produção e ampliar nosso rebanho”, declarou a senadora republicana Deb Fischer, de Nebraska, estado-chave na criação de gado.
Em 2024, os EUA importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina, o equivalente a 2% do total comprado no exterior, segundo dados oficiais.
Acordo comercial mais amplo
Na véspera, Washington e Buenos Aires firmaram um acordo que reduz tarifas e prevê investimentos recíprocos. O pacote inclui cooperação em minerais críticos, numa estratégia de diminuir a dependência de suprimentos chineses essenciais às indústrias de tecnologia, energia e defesa.
Conforme o documento, a Argentina zerará ou reduzirá para cerca de 2% as tarifas de milhares de produtos norte-americanos e abrirá cotas sem imposto para itens estratégicos, como as 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Em contrapartida, os EUA eliminarão taxas sobre produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10%.

O texto só entra em vigor 60 dias após a troca de notificações formais ou em outra data que os governos definirem. As reduções tarifárias serão graduais, aplicadas todo 1º de janeiro.
O governo de Javier Milei celebrou o entendimento e afirmou que a parceria consolida “uma relação estratégica baseada na abertura econômica, em regras claras de comércio e em uma visão moderna de complementaridade”.
Negociações regionais
A Reuters informou que o Brasil participou, no dia 4, de uma reunião em Washington onde o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, propôs criar um bloco comercial de minerais críticos. O Itamaraty confirmou a presença, mas ainda avalia a adesão brasileira.
Fontes do governo em Brasília dizem que o país estuda todas as opções, desde que tragam valor agregado às exportações nacionais.
Com a medida de hoje, Trump aposta em cortes pontuais de tarifas para tentar domar a inflação de alimentos, enquanto avança em acordos bilaterais que reforcem cadeias de suprimento julgadas essenciais para a segurança econômica dos EUA.
Com informações de g1
Em relatório disponível no site do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), é possível consultar dados oficiais sobre importações de carne bovina e respectivos impactos nos preços internos. Para acompanhar outros desdobramentos da política internacional norte-americana, acesse a editoria Internacional do nosso portal. Este conteúdo resume as novas diretrizes de importação de carne argentina pelos EUA e o acordo comercial firmado com Buenos Aires. Continue navegando e fique bem-informado!
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