WASHINGTON – Em meio à escalada de ataques no Golfo Pérsico, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou nesta segunda-feira (30) que o país “vai retomar o controle” do Estreito de Ormuz, organizando escoltas navais a fim de manter aberta a via por onde passa quase um quinto do petróleo mundial.
- Em resumo: Casa Branca prepara comboios militares para garantir fluxo de navios e frear a disparada do barril.
Por que Ormuz virou o gargalo do planeta
Responsável por ligar o Golfo Pérsico ao oceano, Ormuz concentra a saída de grandes exportadores como Arábia Saudita e Emirados Árabes. Qualquer interrupção pressiona a cotação internacional do petróleo, um risco que, segundo dados do Banco Central, pode refletir em alta generalizada de combustíveis e repicar na inflação global.
Nos últimos dias, navios chineses relataram dificuldades para atravessar a rota, enquanto drones lançados do Iêmen foram interceptados por Israel, ampliando o clima de insegurança.
“Com o tempo, os EUA vão retomar o controle do Estreito e haverá liberdade de navegação, seja com escoltas americanas ou multinacionais”, afirmou Bessent à Fox News.
Pressão de Trump e efeito imediato no preço do barril
Apesar da confiança demonstrada por Bessent, o presidente Donald Trump intensificou o tom e deu um ultimato de 48 horas ao Irã para reabrir completamente a passagem, ameaçando atacar usinas de energia iranianas. Analistas alertam que a retórica mantém o mercado em alerta máximo, com previsões de encarecimento entre US$ 5 e US$ 10 por barril se o bloqueio persistir ou avançar para o Mar Vermelho.
A Arábia Saudita já redireciona parte da produção para o porto de Yanbu, enquanto petroleiras como a PetroChina monitoram possíveis rotas alternativas. Ainda assim, ataques a terminais em Omã e mísseis vistos no Kuwait mostram que a crise pode se estender, testando a capacidade de resposta dos EUA e de aliados.
Especialistas lembram que, historicamente, operações de escolta reduzem o risco imediato, mas não eliminam ameaças de drones ou mísseis disparados de países vizinhos, mantendo o custo do seguro marítimo elevado.
No cenário de incerteza, produtores menores avaliam reduzir temporariamente a oferta, o que ampliaria a pressão sobre cadeias produtivas e poderia desacelerar economias dependentes de importação de energia.
Crédito da imagem: Divulgação / U.S. Navy via AP
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