A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou nesta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, um documento ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para rebater acusações de que o Brasil adotaria práticas comerciais injustificáveis, discriminatórias ou restritivas contra empresas norte-americanas.
Entenda o caso
O USTR abriu, em julho, um inquérito com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA para apurar se políticas brasileiras estariam prejudicando o comércio bilateral. Entre os pontos citados por Washington estão o sistema de pagamentos instantâneos Pix, o desmatamento na Amazônia e a proteção à propriedade intelectual. Uma audiência pública sobre o tema está marcada para 3 de setembro.
Argumentos apresentados pela CNI
No texto assinado pelo presidente da entidade, Ricardo Alban, a CNI afirma que:
- não existem bases jurídicas ou factuais que justifiquem a adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros;
- o comércio Brasil-EUA é “mutuamente benéfico”, com superávit em favor dos norte-americanos e tarifas médias baixas;
- medidas unilaterais, como as previstas na Seção 301, enfraqueceriam a parceria estratégica entre os dois países;
- empresas dos EUA não foram discriminadas em relação a concorrentes de outras origens.
A confederação recomenda que eventuais divergências sejam tratadas por meio de diálogo bilateral e cooperação técnica, em vez de sanções.
Manifestação da Embraer
A Embraer enviou carta própria à administração Donald Trump no mesmo dia. O presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, destacou que aproximadamente um terço dos voos no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, é operado por aeronaves da fabricante brasileira. Segundo Gomes Neto, a Embraer gera empregos, lucros e contribui para a defesa e a inovação em mobilidade aérea dos EUA.
A empresa foi incluída na lista de exceções à possível sobretaxa de 50 % sobre produtos brasileiros. Para a Embraer, aplicar a Seção 301 ao setor aeronáutico seria “contrário aos interesses dos Estados Unidos”.
Próximos passos
O governo brasileiro também deve protocolar sua defesa formal ainda nesta segunda-feira. Após a audiência de 3 de setembro, o USTR poderá recomendar ou não a adoção de tarifas adicionais ou outras restrições comerciais.
Imagem: Facebook via g1.globo.com
De acordo com dados públicos do USTR, os Estados Unidos registraram superávit na balança com o Brasil em 2024, reforçando a avaliação da CNI sobre os benefícios mútuos do fluxo comercial.
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O caso segue em análise, e novas atualizações devem ocorrer após a audiência de setembro. Continue acompanhando nossas publicações para ficar por dentro dos desdobramentos.
Com informações de G1




